Boulos e José Guimarães resistem a ajuste fiscal defendido pela equipe econômica de Lula

O debate sobre o ajuste fiscal ganhou espaço no governo do presidente Lula da Silva (PT) poucos dias após sua reeleição. Enquanto o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defende medidas para melhorar o controle dos gastos públicos, integrantes importantes da articulação política e da Secretaria-Geral da Presidência demonstram resistência a cortes que possam atingir programas sociais. Um dos principais críticos é Guilherme Boulos (PSOL-SP), ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência. Em publicação nas redes sociais em 29 de outubro, ele afirmou que os defensores de cortes em políticas sociais não compreenderam o resultado das eleições de 2026. Boulos classificou como derrotada a proposta de redução de despesas que, segundo ele, poderia comprometer programas sociais. O ministro defendeu que o ajuste das contas públicas não seja feito à custa de políticas voltadas à população de baixa renda.  José Guimarães descarta pacote fiscal no momento Outro integrante do governo contrário à discussão imediata de um pacote de ajuste é José Guimarães (PT-CE), ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais. Em declaração no dia 27 de outubro, ele afirmou que a proposta não havia sido discutida nem estava em debate no governo. Guimarães também disse que o Planalto pretende concentrar esforços, até o fim do ano, na votação de três pautas: a PEC da Segurança Pública, medidas relacionadas às apostas esportivas e a proposta de tarifa zero no transporte público. Dario Durigan defende medidas para conter a dívida As declarações contrastam com a posição do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que considera necessário apresentar medidas para reforçar o compromisso do governo com o equilíbrio das contas públicas. Entre as propostas em preparação está uma iniciativa para ampliar os instrumentos de controle das despesas e perseguir o centro da meta fiscal. O debate ocorre em meio ao crescimento da dívida pública e à preocupação de investidores com a trajetória dos gastos federais. Segundo a Reuters, a dívida brasileira chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), com aumento superior a 11 pontos percentuais durante o atual governo.  Reação do mercado ampliou pressão sobre o governo A discussão fiscal ganhou força após a forte turbulência registrada na Bolsa de Valores no dia 26 de outubro, um dia depois da reeleição de Lula. Naquela sessão, o Ibovespa chegou a cair mais de 17% durante as negociações e acionou o mecanismo de circuit breaker, que suspende temporariamente as operações diante de perdas acentuadas. No fechamento, o principal índice da Bolsa brasileira recuou 13,88%, enquanto o dólar subiu 8,21%, encerrando cotado a R$ 5,403. A reação refletiu a mudança nas expectativas de parte dos investidores, que aguardavam outro resultado eleitoral e demonstravam preocupação com a condução da política fiscal.  A divergência entre integrantes do próprio governo expõe um desafio para o novo mandato: conciliar a preservação dos programas sociais, compromisso central da gestão petista, com medidas capazes de conter o crescimento da dívida e recuperar a confiança dos agentes econômicos.
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