Câmara vive semana decisiva sob pressão e com risco sobre votações do Orçamento
A Câmara dos Deputados entra na última semana de trabalhos de 2025 em clima de tensão, com pautas sensíveis travadas, risco real para a votação do Orçamento e o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), politicamente pressionado por dentro e por fora do Parlamento. Após as manifestações de domingo, nas quais foi alvo direto de protestos e chamado de “inimigo do povo”, Motta decidiu adotar sessões semipresenciais na reta final do ano. Deputados poderão registrar presença e votar remotamente, movimento interpretado nos bastidores como tentativa de reduzir o desgaste político e evitar novos confrontos em Brasília. Mesmo sob pressão, o presidente da Câmara convocou reunião do colégio de líderes para esta segunda-feira, com a intenção de manter um esforço concentrado e realizar sessão deliberativa ainda à noite. Entre os temas em pauta está o parecer do deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE) sobre as mudanças feitas pelo Senado no texto que conclui a reforma tributária, incluindo a criação do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Além disso, seguem pendentes decisões sobre projetos considerados explosivos, como a proposta que reduz incentivos e benefícios fiscais a partir de 2026, o chamado “PL Antifacção”, alterado pelos senadores, e a PEC da Segurança, que ainda depende de avanço na comissão especial. Também estão no radar as cassações de Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que exigem deliberações distintas do plenário e da Mesa Diretora. Apesar da agenda oficialmente mantida, lideranças admitem que o clima político é instável. O governo vê com apreensão a votação da redução dos benefícios fiscais, cujo impacto pode chegar a R$ 20 bilhões, e avalia que a relação com Motta se deteriorou após a tramitação turbulenta do PL Antifacção. O desgaste se aprofundou quando o presidente da Câmara rompeu o diálogo com o líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), e surpreendeu as bancadas ao pautar o projeto da dosimetria sem aviso prévio. A crise ganhou novos contornos com a atuação do governo para tentar salvar o mandato de Glauber Braga (PSOL-RJ) e com a operação que atingiu a servidora Mariângela Fialek, investigada por irregularidades envolvendo emendas parlamentares. O episódio levou ao adiamento de votações que, em tese, seriam de consenso e ampliou o mal-estar interno. Somou-se a isso a decisão do Supremo Tribunal Federal que determinou a cassação de Carla Zambelli (PL-SP). A renúncia da deputada no domingo retirou de Motta a necessidade de enfrentar diretamente o Judiciário, mas não foi suficiente para recompor sua força política. Avaliações no Centrão indicam que o presidente da Câmara saiu enfraquecido da última semana e pode ter dificuldade para articular votações, especialmente em meio ao receio dos deputados de não verem suas emendas liberadas às vésperas de um ano pré-eleitoral. A operação envolvendo emendas e a tensão com o Executivo alimentam a percepção de que falta “clima” para acordos amplos. Aliados de Motta afirmam, porém, que ele não pretende retaliar o governo e sinalizou disposição para dialogar com o STF sobre a necessidade de execução dos recursos. A aprovação do projeto que reduz benefícios fiscais é vista como fundamental não apenas para o ajuste das contas públicas, mas também para destravar a votação do Orçamento, que define o destino das emendas parlamentares. Para o governo, a aposta é na responsabilidade institucional. “A Câmara tem que saber distinguir o papel de cada poder e agir com maturidade”, afirmou o vice-líder do governo, Alencar Santana (PT-SP).
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