Galípolo admite déficit de servidores no BC ao atender CPI do Crime Organizado

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reconheceu oficialmente a falta de servidores na instituição ao autorizar a cessão de um funcionário para atuar na CPI do Crime Organizado, em funcionamento no Senado. A decisão, tomada durante o recesso parlamentar, expôs fragilidades internas do órgão justamente no momento em que o BC amplia sua presença em investigações sensíveis envolvendo crimes financeiros. O servidor cedido é Valdemir Fortes de Sousa, chefe adjunto do Departamento de Supervisão de Conduta do Banco Central. Ele irá auxiliar os trabalhos da CPI e, ao mesmo tempo, continuará vinculado às atividades da autoridade monetária. Segundo o BC, o arranjo busca “maximizar a eficiência dos trabalhos”, mesmo diante das limitações estruturais enfrentadas pelo órgão. A solicitação partiu dos senadores integrantes da CPI, que pediram o apoio de um auditor do Banco Central para identificar possíveis indícios de crimes financeiros cometidos por alvos da comissão. O pedido foi atendido, apesar do cenário interno descrito como crítico pela própria instituição. Em documento encaminhado ao presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), a Assessoria Parlamentar do Banco Central fez questão de registrar que a cessão ocorreu mesmo com a “carência de recursos humanos” na autarquia. O texto ressalta o esforço do comando do BC em manter um “espírito de colaboração” com o Congresso Nacional, ainda que isso implique sobrecarga adicional. A admissão do problema não é isolada. Relatório institucional mais recente do Banco Central já havia apontado que, mesmo com a entrada de novos servidores prevista para 2025, após mais de uma década sem concursos públicos, o déficit de pessoal não será solucionado. O documento reconhece que o número de vagas autorizadas é insuficiente para recompor a força de trabalho. O alerta é direto: o Banco Central continuará enfrentando “grandes desafios” na gestão de seu quadro de servidores. Nos bastidores, a situação levanta questionamentos sobre a capacidade operacional da instituição em cumprir suas atribuições centrais, ao mesmo tempo em que é chamada a colaborar com investigações complexas conduzidas pelo Congresso. A decisão de Galípolo, embora vista como um gesto político de cooperação institucional, também escancara um problema estrutural que se arrasta há anos. A falta de pessoal, agora admitida de forma explícita, passa a integrar o debate sobre os limites da atuação do Banco Central em um ambiente de crescente demanda por fiscalização, controle e apoio a apurações de alto impacto político.
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