Macron rejeita convite de Trump para integrar Conselho da Paz sobre Gaza
O presidente da França, Emmanuel Macron, decidiu não aderir ao Conselho da Paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar da reconstrução e da governança da Faixa de Gaza. A recusa foi confirmada nesta última segunda-feira (19) por representantes da diplomacia francesa. Segundo o Ministério das Relações Exteriores da França, o convite foi formalmente recebido pelo Palácio do Eliseu, mas a decisão foi, por ora, de não participar da iniciativa. A posição foi apresentada como resultado de uma avaliação política e jurídica do formato do novo organismo internacional. Divergências sobre o escopo De acordo com o governo francês, uma das principais razões para a recusa é o entendimento de que o conselho proposto extrapola o mandato originalmente previsto para lidar com a situação específica de Gaza. Para Paris, a iniciativa amplia excessivamente seu campo de atuação, indo além do que foi estabelecido em resoluções internacionais recentes. A diplomacia francesa sustenta que o foco deveria permanecer restrito ao enclave palestino e ao contexto imediato do Oriente Médio, evitando a criação de um órgão com atribuições vagas ou sobrepostas a estruturas já existentes. Carta da ONU em debate Outro ponto central da decisão envolve preocupações quanto ao alinhamento do conselho com a Carta das Nações Unidas. A França avalia que o funcionamento do novo organismo precisa respeitar integralmente os princípios e normas do sistema multilateral, especialmente aqueles definidos pelo Conselho de Segurança da ONU. Para Paris, qualquer iniciativa internacional sobre Gaza deve estar claramente ancorada nas resoluções já aprovadas e preservar o papel das instituições multilaterais tradicionais. Sinal político A recusa francesa é vista como um sinal de cautela em relação à proposta apresentada por Washington e expõe divergências entre aliados históricos sobre a condução política do pós-conflito em Gaza. Embora não tenha fechado a porta para futuras discussões, o governo Macron deixou claro que, nas condições atuais, não pretende integrar o conselho defendido por Donald Trump. A decisão reforça a postura da França de defender soluções multilaterais estritamente alinhadas às normas internacionais, em meio a um cenário diplomático cada vez mais sensível no Oriente Médio.
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