Otto Alencar rejeita presidenciáveis do PSD e reafirma apoio a Lula na Bahia
O senador Otto Alencar (PSD) deixou claro que não pretende acompanhar a eventual estratégia nacional do PSD para a disputa presidencial e reafirmou, de forma categórica, o alinhamento do partido na Bahia com o presidente Lula da Silva (PT). A declaração ocorre em meio ao avanço do discurso do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, que já sinalizou que o PSD poderá lançar candidato próprio ao Planalto ou apoiar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Durante entrevista nesta quarta-feira (28), Otto demonstrou incômodo com o rumo que vem sendo desenhado pela direção nacional do partido e adotou um tom firme ao ser questionado sobre nomes ventilados pelo PSD para a Presidência. Ao comentar possíveis candidaturas de Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado ou Eduardo Leite, foi direto e sem margem para dúvida: “No meu palanque, não”. Alerta ligado após recado de Kassab Nos bastidores, a fala de Otto reflete receio e desconfiança diante das declarações recentes de Kassab, que vem defendendo que o PSD não ficará neutro em 2026. A possibilidade de apoio a Tarcísio de Freitas, nome identificado com a direita e adversário direto do campo político de Lula, acendeu o sinal de alerta na ala baiana da legenda. Otto fez questão de deixar registrado que a posição do PSD na Bahia já foi comunicada à direção nacional. “Kassab já sabe disso”, afirmou, numa tentativa de conter qualquer expectativa de alinhamento automático do diretório estadual com uma eventual candidatura presidencial do partido ou com alianças fora do campo lulista. PSD da Bahia segue sob comando de Otto Presidente estadual do PSD, Otto Alencar reforçou sua autoridade interna ao afirmar que a condução da legenda no estado está sob seu controle. “Aqui na Bahia, a condução do PSD é minha”, declarou, afastando qualquer dúvida sobre quem define a estratégia eleitoral local. O recado tem endereço certo. Enquanto Kassab articula o protagonismo nacional do PSD, Otto deixa claro que, na Bahia, a prioridade é manter a aliança com o PT, com o governo estadual e com o projeto liderado por Lula. Partido dividido entre Brasília e Salvador As declarações escancaram um descompasso crescente dentro do PSD. De um lado, a cúpula nacional busca se viabilizar como alternativa presidencial ou força de apoio a um nome competitivo da direita, como Tarcísio de Freitas. Do outro, o diretório baiano reafirma fidelidade ao lulismo e rejeita qualquer movimento que coloque o partido em rota de colisão com o PT no estado. O embate interno expõe uma contradição estratégica que tende a se intensificar à medida que a disputa de 2026 se aproxima. Para Otto Alencar, ao menos na Bahia, a escolha já está feita, mesmo que isso signifique remar contra o discurso nacional do próprio partido.
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