Síria condena Bashar al-Assad à morte
Um tribunal da Síria condenou nesta terça-feira (11) o ex-presidente Bashar al-Assad à morte, em um julgamento realizado à revelia. A decisão é a primeira condenação judicial contra o antigo líder desde sua queda, em dezembro de 2024, e está relacionada a crimes cometidos durante os quase 14 anos de guerra civil no país. Segundo a sentença, Assad foi considerado culpado por crimes que incluem homicídios premeditados, tortura, prisões arbitrárias e crimes contra a humanidade. O julgamento ocorreu em Damasco e faz parte de um processo mais amplo de responsabilização de integrantes do antigo regime. Assad não estava presente no tribunal. Depois de ser derrubado por uma ofensiva rebelde no fim de 2024, ele deixou a Síria e permanece na Rússia, onde recebeu asilo. Queda encerrou décadas de domínio da família Assad Bashar al-Assad assumiu a Presidência da Síria em 2000, após a morte de seu pai, Hafez al-Assad, que havia governado o país desde 1971. A família Assad permaneceu no centro do poder sírio por mais de cinco décadas. O governo de Bashar foi marcado pela repressão política e, a partir de 2011, por uma guerra civil que começou após manifestações contra o regime durante a Primavera Árabe. A repressão aos protestos deu início a um conflito que envolveu forças governamentais, grupos rebeldes, organizações jihadistas e potências estrangeiras. O confronto provocou uma das maiores crises humanitárias do século XXI. Outros integrantes do antigo regime também foram condenados Atef Najib, ex-chefe da Segurança Política na província de Daraa e primo de Assad, também recebeu sentença de morte. Ele foi julgado presencialmente e estava sob custódia das autoridades sírias. Najib é apontado como uma das figuras envolvidas na repressão aos primeiros protestos que deram origem à revolta de 2011. O irmão de Bashar, Maher al-Assad, também recebeu sentença de morte à revelia, segundo informações divulgadas pela Reuters. Ele comandava a 4ª Divisão Blindada durante o antigo regime e permanece fora da Síria. O processo começou em abril de 2026 e envolveu antigos integrantes das estruturas de segurança do governo Assad. Documentos de organizações de direitos humanos indicam que outros ex-dirigentes também foram incluídos no processo. Sentença ocorre em meio à transição política A condenação acontece durante o processo de reorganização política da Síria após a queda de Assad. O novo governo tem buscado responsabilizar integrantes do antigo regime por violações cometidas durante o conflito. A decisão, porém, enfrenta um obstáculo prático, Assad está na Rússia. Como o julgamento ocorreu à revelia e o ex-presidente permanece em território russo, a execução da sentença dependeria de sua eventual captura e transferência para a Síria. Especialistas também avaliam que a pena de morte pode dificultar esforços para obter a extradição do ex-presidente, tornando a decisão principalmente simbólica enquanto ele permanecer protegido em território russo. Guerra deixou marcas profundas na Síria O conflito sírio começou em 2011, depois que manifestações pró-democracia foram reprimidas pelas forças do governo. A guerra posteriormente se transformou em um conflito internacionalizado, com participação direta ou indireta de diversas potências e grupos armados. Ao longo dos anos, milhões de pessoas foram deslocadas e centenas de milhares morreram. A responsabilização por crimes cometidos durante o conflito tornou-se uma das principais questões da transição após a queda do antigo governo. A condenação de Assad representa, nesse contexto, um marco judicial para as novas autoridades sírias, mas sua efetivação permanece condicionada à possibilidade de o ex-presidente deixar a Rússia ou ser entregue às autoridades de Damasco.
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