STF mantém maioria católica e pode ter segundo ministro evangélico com indicação de Messias
A nomeação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproxima o tribunal da presença de um segundo ministro evangélico, mantendo, porém, a ampla maioria católica entre os magistrados. Atualmente, o Supremo conta com dez ministros, dos quais a maior parte é católica, além de um judeu — Luiz Fux — e o pastor evangélico André Mendonça. Embora os ministros neguem que suas crenças religiosas influenciem suas decisões jurídicas, a presença da fé tem ganhado maior destaque nos julgamentos, com menções frequentes à Bíblia mesmo em processos não religiosos. O ministro Mendonça, pastor da Igreja Presbiteriana de Pinheiros (SP), é ativo em sua fé, frequentemente compartilhando trechos bíblicos em suas redes sociais, mas ressalta que no STF segue estritamente a Constituição. Jorge Messias, por sua vez, é diácono da Igreja Batista em Brasília e costuma mencionar a influência da Bíblia em seus discursos, o que reforça sua identificação religiosa no ambiente do tribunal. A preferência de Lula pela indicação de Messias tem sido interpretada por aliados como uma estratégia que também busca reduzir resistências políticas, dado o peso do segmento evangélico no país. A pauta religiosa ganhou força recentemente, sobretudo quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) priorizou a indicação de ministros evangélicos ao STF, como Mendonça. Em 2024, o Supremo reafirmou a manutenção dos crucifixos em prédios públicos, sustentando que o Brasil é culturalmente cristão, especialmente católico, decisão que gerou debates sobre o laicismo do Estado. Ministros como Flávio Dino frequentemente fazem citações bíblicas em seus votos, e não raro há até brincadeiras internas sobre seu tom religioso, como a provocação de Alexandre de Moraes que o chamou de “candidato a papa”. Já Edson Fachin, antes de assumir a presidência do STF, visitou o papa e recebeu sua bênção, demonstrando relações próximas com autoridades religiosas. A diversidade religiosa no STF inclui ainda ministros que adotam posições mais amplas ou pessoais, como Kassio Nunes Marques, que tem formação católica, mas também admira doutrinas evangélicas e kardecistas, e Fux, o único ministro judeu, alvo de ataques antissemitas após decisões polêmicas. No plenário, temas ligados à fé e religião geram debates acalorados. Em 2022, a ministra Cármen Lúcia defendeu que o preconceito no Brasil recai mais sobre religiões de matrizes africanas do que sobre católicos ou evangélicos, ressaltando a importância da diversidade religiosa no país. Em outras ocasiões, ministros defendem que a fé é uma questão pessoal, enquanto o Estado deve manter-se laico e neutro. O papel crescente da religião no STF reflete a complexidade do tribunal diante da pluralidade cultural e social do Brasil. Embora o diálogo entre fé e justiça permaneça delicado, o fenômeno indica que a religião não está ausente das discussões políticas e jurídicas, e seguirá sendo um tema relevante na composição e decisões do Supremo.
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