Eleição acirrada aponta vitória da centro-esquerda

O bloco de oposição de centro-esquerda da Suécia registrava a vantagem mínima nas eleições gerais deste último domingo (13), com metade dos votos apurados, enquanto as últimas projeções mostravam a ultradireita perdendo força no país. Com 98% das urnas apuradas, os quatro partidos da oposição liderados pela social-democrata Magdalena Andersson somavam 49,5% dos votos, contra 49,1% da aliança de direita do primeiro-ministro Ulf Kristersson, que inclui a sigla anti-imigração Democratas da Suécia. Foi a primeira vez que o partido ultranacionalista perdeu eleitores desde que entrou no Parlamento, em 2010. A sigla obteve 17,6% dos votos, abaixo dos 20,5% registrados em 2022. O resultado final da eleição deverá ser definido só nesta quarta-feira, quando as autoridades contabilizarem os votos antecipados, o que inclui os votos vindos do exterior. Nesta segunda-feira, a contagem indicava uma diferença de três assentos no Parlamento sueco entre o bloco de centro-esquerda (176) e o bloco de centro-direita (173), que atualmente governa o país. Kristersson governa a Suécia desde 2022, com uma coalizão de centro-direita formada por três partidos. Para obter a maioria parlamentar, o primeiro-ministro contou com o apoio dos Democratas da Suécia, um partido anti-imigração com raízes na extrema direita, mas que se aproximou da corrente política dominante. Kristersson havia prometido aos Democratas da Suécia que cederia ao partido cargos no gabinete caso a coalizão fosse reeleita. O Partido dos Democratas da Suécia foi fundado na década de 1980 por membros que haviam atuado em grupos de extrema direita, incluindo neonazistas. O partido moderou sua retórica e expulsou integrantes abertamente racistas sob a liderança de Jimmie Åkesson, que o lidera desde 2005. “Essa é uma eleição muito importante para a Suécia: ou teremos, pela primeira vez, um partido de extrema direita fundado por neonazistas em nosso governo, ou o governo será liderado por mim”, disse Andersson após votar. Social-democratas com apoio do ABBA Ao longo da campanha, as pesquisas de opinião apontavam para uma vantagem confortável da oposição de esquerda, mas a diferença diminuiu até chegar a um empate técnico nos últimos dias. Grande parte da campanha se concentrou na saúde e em ajudar as famílias em dificuldades a lidar com o aumento dos custos. Andersson, primeira mulher a chefiar o governo da Suécia entre 2021 e 2022, é uma defensora ferrenha do famoso Estado de bem-estar social sueco. O partido dela governou o país escandinavo durante a maior parte do século 20 e continua sendo o maior da Suécia, apesar de a votação dos social-democratas na atual eleição estar entre as piores do partido em cem anos. Andersson prometeu aumentar os impostos sobre bancos e rendas altas, reduzir as filas no sistema de saúde e melhorar o desempenho escolar, que vem caindo. “Tivemos quatro anos de aumento do desemprego, com um salário que rende cada vez menos”, disse ela em um debate na TV antes da votação. Dando um toque de glamour ao dia da eleição, Benny Andersson, do ABBA, se apresentou na sede do Partido Social-Democrata em Estocolmo, alterando a letra do sucesso Mamma Mia para “Mag-da-le-na!”.
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