Tarifaço de Trump ainda atinge 45% do agro brasileiro e acende alerta para 2026
Apesar do recuo parcial do governo norte-americano, quase metade das exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos continua sufocada pelo tarifaço imposto por Donald Trump desde abril. Segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), 45% dos produtos agropecuários enviados aos EUA seguem submetidos às tarifas, deixando setores inteiros paralisados e acendendo um forte sinal de alerta para 2026. Itens altamente dependentes do mercado americano, como tilápia, sebo e mel, registraram queda abrupta e, em alguns casos, praticamente zeraram embarques. Se nada mudar até 2026, a CNA estima prejuízo potencial de US$ 2,7 bilhões para o agronegócio brasileiro. CNA alerta para rede de acordos dos EUA Em coletiva nesta terça-feira (9) a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, afirmou que o Brasil não pode se limitar à agenda bilateral e precisa acompanhar de perto a estratégia comercial global dos EUA. Ela explicou que os acordos firmados por Washington seguem um padrão que tende a prejudicar exportadores como o Brasil: “Esses acordos geralmente incluem três compromissos centrais: redução de barreiras tarifárias e não tarifárias para produtos americanos, compromissos de investimento nos EUA e, sobretudo, compromisso de compra de produtos agropecuários norte-americanos”, ressaltou Mori. Segundo ela, quando um país parceiro assume compromissos formais de compra com os Estados Unidos, parte das importações previstas para o Brasil é automaticamente substituída, restringindo o acesso do agro brasileiro a mercados estratégicos. A dirigente reforçou que a diplomacia comercial brasileira precisa acompanhar, em tempo real, cada nova negociação americana para avaliar seus impactos antes que eles se consolidem na balança comercial. De 10% a 40%: tarifaço escalou e só recuou após pressão Em abril, Trump impôs tarifa de 10% sobre mais de 200 produtos alimentícios, muitos deles oriundos do Brasil. O cenário ficou ainda mais crítico em julho, quando Washington anunciou sobretaxa de 40% para uma série de mercadorias brasileiras. A pressão política e técnica do governo brasileiro, aliada ao descontentamento interno no próprio mercado americano, forçou uma revisão meses depois. Itens como suco de laranja e café foram retirados do pacote. Ainda assim, a restrição segue pesada para quase metade dos produtos exportados. Agro superou os entraves e registrou recorde Mesmo sob o tarifaço, o agronegócio brasileiro encerrou 2025 com números impressionantes. Segundo a CNA, o setor alcançou: US$ 155 bilhões em exportações US$ 19 bilhões em importações US$ 129 bilhões de saldo comercial positivo O que o Brasil mais exportou em 2025 (jan–nov) Soja em grãos – US$ 42,0 bi Carne bovina in natura – US$ 14,9 bi Açúcar bruto – US$ 13,3 bi Café verde – US$ 11,2 bi Celulose – US$ 9,4 bi Principais destinos do agro brasileiro China – US$ 52,0 bi (+10%) União Europeia – US$ 22,9 bi (+5,4%) Estados Unidos – US$ 10,5 bi (–4%) Vietnã – US$ 3,2 bi (–10%) Índia – US$ 3,0 bi (+11%) O tarifaço americano, segundo analistas do setor, deve continuar sendo um dos principais pilares de tensão entre Brasília e Washington nos próximos anos. Caso as sobretaxas avancem ou sejam reativadas, o Brasil corre o risco de perder mercados estratégicos justamente em um momento de forte competitividade global no agronegócio.
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