Caiado e Zema atribuem tarifaço dos EUA à política externa de Lula

Os pré-candidatos à Presidência da República, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), intensificaram nesta terça-feira (2) as críticas ao governo do presidente Lula da Silva (PT) após a decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de recomendar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A medida foi anunciada como resultado de uma investigação comercial conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Durante agendas políticas em Belo Horizonte, os dois adversários do presidente associaram o avanço do processo tarifário à atuação diplomática do governo brasileiro. O encontro contou ainda com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fortalecendo o discurso de convergência entre lideranças de oposição para a disputa presidencial de 2026. Em vídeo publicado nas redes sociais, Zema afirmou que o Brasil perdeu capacidade de negociação internacional e atribuiu o risco de novas barreiras comerciais à condução da política externa do governo federal. Segundo ele, o país enfrenta um cenário de redução da credibilidade internacional e de enfraquecimento das relações econômicas com parceiros estratégicos. Caiado também adotou tom crítico ao Planalto e defendeu uma reaproximação diplomática com mercados considerados fundamentais para a economia brasileira. Embora ainda não exista uma aliança formal entre os pré-candidatos, ambos voltaram a sinalizar disposição para uma união das forças de oposição em um eventual segundo turno das eleições presidenciais. A proposta do USTR prevê a cobrança adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros, embora uma extensa lista de exceções tenha sido apresentada. Entre os itens poupados estão café, carne bovina, fertilizantes, aeronaves, produtos farmacêuticos, terras raras e determinadas commodities agrícolas. O governo americano abriu consulta pública sobre a medida e deverá tomar uma decisão final até 15 de julho. Segundo o relatório da investigação, os Estados Unidos apontam preocupações relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção e questões ambientais. O documento sustenta que determinadas práticas brasileiras criariam obstáculos ao comércio norte-americano. O governo Lula reagiu às conclusões do USTR e classificou a investigação como uma interferência em assuntos internos do Brasil. Em nota oficial, o Palácio do Planalto contestou os argumentos apresentados por Washington e afirmou que continuará defendendo políticas consideradas estratégicas para o país, incluindo o Pix e a política comercial brasileira. Além da questão tarifária, Zema e Caiado também manifestaram apoio à recente decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O tema foi abordado durante o encontro em Belo Horizonte, mas os dois pré-candidatos evitaram comentar as declarações de Flávio Bolsonaro relacionadas às negociações envolvendo as tarifas americanas.  
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