Lula e aliados lançam Ponte Salvador-Itaparica às vésperas da eleição após duas décadas de espera

A realização do ato simbólico para a cravação da primeira estaca da Ponte Salvador, Itaparica, nesta quarta-feira (2), reacendeu o debate político sobre uma das obras de infraestrutura mais aguardadas da Bahia. A cerimônia contou com a presença do presidente Lula da Silva (PT), do governador Jerônimo Rodrigues (PT), do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), do senador Jaques Wagner (PT) e do senador Otto Alencar (PSD). O evento ocorreu após quase duas décadas de administrações estaduais lideradas pelo PT. Desde a chegada de Jaques Wagner ao Palácio de Ondina, em 2007, passando pelos dois mandatos de Rui Costa e pela atual gestão de Jerônimo Rodrigues, a ponte permaneceu na fase de estudos, licenciamento, revisões contratuais e negociações com o consórcio responsável pelo empreendimento. Ou seja, pura enrolação. O projeto começou a ganhar forma durante o governo Jaques Wagner, quando foram iniciados os primeiros estudos de viabilidade. Em 2019, já na gestão de Rui Costa, foi assinado o contrato de concessão com o consórcio chinês responsável pela obra. Desde então, o cronograma sofreu sucessivos adiamentos em razão de impasses técnicos, ambientais, financeiros e da necessidade de reequilíbrio econômico do contrato. Agora, a poucos meses do início oficial da campanha eleitoral de 2026, o governo estadual realizou um ato para marcar o início da implantação da estrutura provisória que dará suporte à construção da ponte definitiva. O momento escolhido para a cerimônia provocou questionamentos de adversários políticos, que apontam o caráter eleitoral do evento e cobram resultados concretos após anos de promessas. Durante a solenidade, Rui Costa afirmou que o início dos trabalhos demonstra que o projeto finalmente saiu do papel. “Aqui só não acredita quem tem dissonância cognitiva, que nega a realidade, porque os fatos estão aqui. Começou a ponte provisória e, já já, a ponte definitiva”, declarou. Jaques Wagner reconheceu que o projeto atravessou um longo período de maturação e afirmou que empreendimentos dessa dimensão exigem planejamento complexo. Segundo o senador, a primeira manifestação de interesse para a obra foi iniciada em 2010 e um empreendimento dessa magnitude demanda diversas etapas antes da execução. Otto Alencar aproveitou o evento para defender outras iniciativas dos governos estadual e federal, citando investimentos como a instalação da montadora BYD em Camaçari, o VLT de Salvador e a retomada da fábrica de fertilizantes da Petrobras como exemplos de projetos que enfrentaram desconfiança antes de avançarem. Apesar do discurso otimista dos aliados do governo, a ponte Salvador-Itaparica continua sendo alvo de cobranças devido ao longo histórico de atrasos. O empreendimento, estimado em mais de R$ 11 bilhões após revisões contratuais, é considerado a maior obra de infraestrutura em execução na Bahia e deverá ter cerca de 12,4 quilômetros sobre o mar, ligando Salvador ao município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica. A oposição, que é liderada pelo prè-candidato ao governo ACM Neto (União Brasil) afirma que a população aguarda há quase vinte anos de governos do PT pelo início efetivo da construção e sustenta que apenas a execução contínua dos serviços poderá comprovar que o projeto finalmente deixou a fase de promessas para se transformar em realidade e isso, conforme maioria dos interlocutores, só será construido com uma gestão séria. 
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