Vaticano excomunga seis bispos após desafiarem o Papa Leão
O Vaticano anunciou nesta quinta-feira (2) a excomunhão de seis bispos ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), aprofundando o conflito entre a Santa Sé e o grupo ultraconservador que desafiou a autoridade do papa Leão XIV ao ordenar quatro novos bispos sem autorização pontifícia. A decisão foi formalizada pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, que classificou as ordenações como um “ato de natureza cismática”. Além da excomunhão dos bispos envolvidos, o decreto estabelece que os ministros ordenados pertencentes à Fraternidade estão em situação de cisma. O documento também alerta que fiéis leigos que aderirem formalmente ao grupo serão considerados cismáticos e estarão sujeitos à excomunhão prevista pelo direito canônico. A crise foi desencadeada após a Fraternidade ordenar quatro novos bispos durante uma cerimônia realizada em Écône, na Suíça, ignorando um apelo público feito por Leão XIV para que a decisão fosse reconsiderada. O Vaticano informou que os bispos franceses Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier, o norte-americano Michael Goldade e o suíço Pascal Schreiber foram excomungados, assim como os bispos Alfonso de Galarreta, da Espanha, e Bernard Fellay, da Suíça, que participaram das consagrações sem mandato do papa. O decreto foi assinado pelo cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, que afirmou que as ordenações romperam a comunhão com a Igreja Católica. Segundo a Santa Sé, as consagrações episcopais realizadas sem autorização do pontífice configuram um grave ato de desobediência e provocam automaticamente a pena de excomunhão prevista no Código de Direito Canônico. Na véspera da publicação do decreto, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, afirmou que as ordenações “rompem a unidade da Igreja” e lamentou o aprofundamento da crise. Apesar das sanções, ele manifestou esperança de que o diálogo entre Roma e a Fraternidade possa ser retomado no futuro. Grupo rejeita reformas do Concílio Vaticano II Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X rejeita diversas reformas introduzidas pelo Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965. Entre os principais pontos de divergência estão a celebração da missa nas línguas locais, o diálogo ecumênico e outras mudanças promovidas pela Igreja Católica nas últimas décadas. Seus membros mantêm a celebração da missa tridentina em latim e defendem uma interpretação mais rígida da doutrina católica. O confronto remete ao episódio de 1988, quando o papa São João Paulo II excomungou Marcel Lefebvre após a ordenação de quatro bispos sem autorização da Santa Sé. Anos depois, o papa Bento XVI suspendeu aquelas excomunhões em uma tentativa de reaproximação, mas as divergências doutrinárias permaneceram. Com a nova decisão, o Vaticano considera reaberto o cisma entre a Fraternidade e a Igreja Católica.
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