Quase 60% dos candidatos de 2022 trocaram de partido para disputar 2026

Quase seis em cada dez candidatos que disputaram as eleições de 2022 e voltaram às urnas em 2026 mudaram de partido. Levantamento do Estadão mostra que 59,8% trocaram de legenda no intervalo de quatro anos, evidenciando a intensa movimentação do sistema partidário brasileiro. Segundo o levantamento, apenas dez dos 32 partidos analisados mantiveram mais da metade dos candidatos que haviam lançado em 2022. A circulação ocorreu nos dois sentidos, com legendas perdendo antigos quadros e, simultaneamente, atraindo candidatos de outras siglas. PSDB registra uma das maiores mudanças O PSDB aparece entre os partidos com maior perda de candidatos. Apenas 30,4% dos nomes que disputaram a eleição de 2022 pela legenda e voltaram às urnas em 2026 permaneceram no partido. Os principais destinos foram PSD, MDB e PL. A movimentação também atingiu nomes eleitos para governos estaduais. Raquel Lyra, eleita governadora de Pernambuco pelo PSDB em 2022, disputa a reeleição pelo PSD. Eduardo Riedel, governador de Mato Grosso do Sul, deixou a legenda e concorre pelo PP. Para Vinícius Alves, professor do IDP ouvido pelo Estadão, a movimentação faz parte de uma transformação mais ampla do sistema partidário, que ganhou força após as eleições de 2018. PT mantém maior parte dos candidatos Entre os grandes partidos, o PT apresentou uma das maiores taxas de permanência. 87,4% dos candidatos que disputaram a eleição de 2022 pela legenda e voltaram à disputa em 2026 continuam no partido. Entre os que saíram, PSB e PDT aparecem entre os principais destinos. A permanência também ocorre em uma legenda com forte estrutura financeira para a campanha. O PT recebeu cerca de R$ 615,4 milhões do Fundo Eleitoral de 2026, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O PL recebeu a maior parcela, aproximadamente R$ 881,7 milhões. PL atrai novos quadros No PL, 59,8% dos candidatos que concorreram pela sigla em 2022 e voltaram às urnas em 2026 permaneceram no partido, enquanto 40,2% migraram para outras legendas. Ao mesmo tempo, a sigla ampliou sua composição com candidatos vindos de outros partidos. O levantamento aponta que apenas 47,5% dos candidatos do PL em 2026 que também haviam disputado a eleição anterior estavam na legenda em 2022. O movimento ocorre em um partido que recebeu a maior parcela do Fundo Eleitoral deste ano, com aproximadamente R$ 881,7 milhões. MDB e PSD também apresentam forte circulação No MDB, 55,5% dos candidatos que haviam disputado a eleição de 2022 pela legenda e voltaram à disputa em 2026 permaneceram no partido. No PSD, a taxa foi de 47,6%. Os dados mostram que a troca de legenda não representa apenas perda de quadros. Partidos também recompõem suas listas com políticos que anteriormente concorreram por outras siglas. Para o cientista político Leandro Consentino, professor do Insper, ouvido pelo Estadão, mudanças nas regras eleitorais aumentaram a importância da estrutura partidária, dos recursos disponíveis e das condições de competição oferecidas pelas legendas. Cláusula de desempenho influencia migração Outro fator apontado na análise é a cláusula de desempenho, que estabelece critérios para que os partidos tenham acesso a recursos do Fundo Partidário e à propaganda partidária. O mecanismo foi criado para reduzir a fragmentação e estimular o desempenho eleitoral das legendas. O Fundo Eleitoral também se tornou um elemento relevante na organização das campanhas. Para 2026, o TSE destinou aproximadamente R$ 4,96 bilhões aos partidos políticos, distribuídos conforme critérios previstos na legislação eleitoral. O levantamento do Estadão considerou candidatos a deputado federal, deputado estadual, deputado distrital e senador cadastrados até 15 de agosto de 2026. Os dados têm como referência o sistema DivulgaCandContas, utilizado pela Justiça Eleitoral para divulgar informações sobre as candidaturas. O TSE mantém a plataforma com dados de candidatos, arrecadação e gastos das campanhas.
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